terça-feira, 15 de junho de 2010

The Dunga Brothers

Melhor escrever isso antes da partida contra a Coréia do Norte e queimar bastante a língua se for o caso.

A reclamação geral (uma delas e talvez a mais legítima) é que o Brasil não tem opções de banco. Substituições durante a partida seriam trocar doze por uma dúzia, numa convocação onde os reservas são peças-espelho dos jogadores em campo. Fato? Não exatamente, mas correto uns 78%.

A acusação, bem divertida, é de "excesso de coerência" por parte do técnico. Mas olhando o que ele fez até agora, essa falta de opções criativas no banco é uma chave privilegiada para entender o Fantástico Mundo de Dunga na Seleção. Um cara que conseguiu montar um time que nunca empolgou muito pela falta de estrelas e mesmo assim tem aproveitamento de 37 vitórias e 5 derrotas em 53 jogos. Uma seleção brasileira onde dificilmente um ou dois jogadores vão fazer muita diferença se o grupo não jogar entrosado, mesmo que difícil não seja nem de longe impossível, em especial no futebol. Um time brasileiro com um meio de campo pouco criativo e fincado em volantes, que ainda assim avança com velocidade quando atua bem.

Não existe segredo nisso. Dunga, o jogador que personificava a unidade de um time, fez a seleção que ele provavelmente sonhava enquanto olhava a seleção de dentro do campo, com a visão privilegiada de quem vê adiante quase todos os companheiros de equipe. O homem-time montou uma equipe programada, pensada e treinada para nunca ser a banda de um jogador só. Ou o Brasil entra em campo ou nos ferramos todos nós - ou pelo menos perdemos temporariamente a voz e as unhas.

Claro que existe outro (alguns) problema(s) por baixo desse. A falta de um brilho individual que seja machuca a paciência quando Essa Seleção cochila em campo ou administra uma vitória. É um luxo que o Dunga Team não tem. Tomara que pelo menos nessas horas o santo treinador se recorde que deixou no banco um certo Daniel Alves.

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